httpv://www.youtube.com/watch?v=ihRaxt50pi4
Vou ter que assumir minha ignorância: já tinha lido sobre o Deus Criador (Gênesis 1: 1-31), sobre o Senhor dos Exércitos que comanda vitórias militares (Josué 11:8), sobre o Jeová regulamentador da alimentação (Levítico 7:23), sobre o Pai que lança doenças mortais (II Samuel 24:15), sobre o Iaveh que escolhe e sustenta tiranos (Romanos 13:1), sobre o incentivador de genocídios (Deuteronômio 7: 1-5) e até sobre o Senhor que consente que duas ursas matem 42 crianças por chamarem de careca um de Seus profetas (II Reis 2: 23-25). ELE tem mesmo maneiras estranhas de exercer sua onipotência. Mas essa de Deus gestor futebolístico eu não conhecia, confesso.
Foi Caroline Celico, esposa do Kaká, quem revelou mais essa entre as infindáveis competências divinas.
Caroline se tornou pastora da Igreja Renascer. Em um vídeo que está rodando a internet, a moça diz que, apesar da penúria financeira mundial, Deus deu dinheiro ao Real Madrid para que o clube contratasse seu marido. Segundo Caroline, a ida do casal para a capital espanhola teria propósitos missionários, para fundar uma Igreja Renascer na cidade.
No vídeo, a pastora Caroline pratica toda a panóplia do manual do pregador picareta: as piadinhas para descontrair e cativar a audiência, as mãos erguidas, a aparência muito bem cuidada, o tom suave da voz (o “sotaque de crente”) que cresce em paroxismos de fervor quase colérico.
Tento imaginar qual seria a reação de um espanhol que passa dificuldades para sustentar sua família após ter perdido o emprego no rastro da crise econômica. Que ouve uma menina milionária dizer que Deus, apesar da crise, deu 65 milhões de euros para que seu marido trocasse de clube. Que escuta a jovem pastora dizer que foi o jejum do fiéis que contribuiu para o novo contrato de Kaká. Que ouve Caroline dizer que mais importante do que o dinheiro, do que a qualidade de vida e do que a mudança para Madrid é a alegria por abrir uma filial da Renascer, seita cujos “Apóstolos” estão às voltas com problemas nos tribunais.
Haja cinismo, haja insensibilidade. É um acinte.
Então, em plena crise, Deus prefere concentrar dinheiro no Real Madrid para contratar um jogador de futebol ao invés de compartilhar 65 milhões de euros com os quase três milhões de desempregados espanhóis? Não seria muita futilidade de Sua parte? Não teria algo menos supérfluo e mais urgente nos dias atuais?
Será que ela estaria radiosa se o Kaká recebesse uma proposta para jogar no Ch’ŏngjin Chandongcha da Coréia do Norte com salário mensal de 200 dólares? Se for o desafio missionário o que ela considera mais importante, esse seria muito maior em Pyongyang do que em Madrid.
Mas quem faz perguntas assim são pessoas que se preocupam minimamente com a origem e com o fim do dinheiro que lhe passa pelas mãos. Questões desse tipo não parecem importar muito a Caroline Celico. Se assim não fosse, ela se indignaria com o fato de seu marido ter sido por muito tempo assalariado de Silvio Berlusconi, dono do Milan. Não entregaria seu dinheiro a uma igreja que não se responsabilizou por indenizar as vítimas do desabamento do templo em São Paulo. Não se tornaria pastora de uma seita cujos líderes estão sendo processados por lavagem de dinheiro, falsidade ideológica e estelionato (além de terem sido presos nos EUA).
Mas Caroline não se ateve a falar apenas do novo contrato do marido. Microfone em mãos, ela falou sobre sua opção de ter se casado virgem.
Muitos diriam que a moça é corajosa por, nos dias atuais, assumir tal postura e tal decisão. Na verdade, o que explica seu discurso não é a coragem, mas a vaidade. No meio evangélico, os códigos são outros. A pessoa que resiste e vence a tentação, que persevera inabalável no seu compromisso com Deus é vista como mais sintonizada com a vontade do Altíssimo: atingiu uma espiritualidade mais consistente, mais pura, invulnerável às vicissitudes da carne. Só quem “anda no Espírito” (para usar a linguagem paulina) atinge esse patamar. Na teologia do Apóstolo Paulo, essa é a pessoa na qual abundam os frutos do Espírito e que crucificou a carne e suas obras (Efésios 5: 16-25). Tal santidade atrai muita admiração e respeito entre os pares. Esse tipo de discurso em que crentes dão testemunho relatando histórias pessoais em que sublinham o quão difícil foi superar a tentação (ou a adversidade ou o pecado) e que só o fizeram pela misericórdia divina (e nada pelas próprias forças) tem muito pouco – ou nada – de humildade. É apenas uma maneira de dizerem a si mesmos e aos outros o quão são bons, especiais, o quão próximos estão da perfeição e de Deus. (Trata-se do contra-exemplo de outro tipo de narcisismo que também grassa no meio evangélico: o de sublinhar devassidões impublicáveis para ressaltar a sempre mais extraordinária graça divina, em desacordo a Romanos 5: 20,21 e a 6: 1-8).
A afirmação de que mais “importante do que o dinheiro e a mudança de cidade é a alegria de poder ser missionária em Madrid” também se encaixa nessa perspectiva pseudo-espiritual. É um exemplo “bonito” que toca os miseráveis que lotam Renasceres Brasil afora: o de que a moça bonita, milionária, casada com o galã dos gramados e morando na Europa, dá pouco valor às “coisas do mundo”. Afinal, “tudo o que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não procede do Pai, mas procede do mundo. Ora, o mundo passa, bem como sua concupiscência; aquele, porém, que faz a vontade de Deus permanece eternamente” (I João 2: 16, 17). O que são preciosas a Caroline são as coisas “espirituais”. Não seria que ela deseja ardentemente se convencer disso e por isso o repete tantas vezes?
Por outro lado, Caroline talvez seja um exemplo público e visível de como o recalque sexual seja o combustível (Freud chamou isso de sublimação) que leva tantos jovens ao fervor evangélico nas Américas. Dos EUA ao Brasil, passando por Guatemala e Honduras, o fundamentalismo religioso do qual Caroline é representante tem atraído multidões de jovens. Tanto recalque, é claro, não gera apenas fanatismo entre jovens, mas também adultos infantilizados, adolescentes medrosos, mulheres histéricas e outros tantos indivíduos sádicos, frustrados, perversos, deprimidos, neuróticos e cheios de problemas psicossomáticos. Além, é claro, de motivo de risadas para piadistas do mundo inteiro, como a trupe do Monthy Pyhton, que debochou dos “abstêmios”, na figura do cavaleiro Sir Galahad, the Chast.
Como se não bastasse, na minha ínfima experiência pessoal, as pessoas mais chatas que já conheci advogam ferrenhamente a virgindade. E boa parte dos indivíduos mais divertidos e interessantes que conheço são avessos à castidade e a regras comportamentais rígidas e inflexíveis.
Por isso tudo, foi com grande surpresa que soube que a Juliana Paes processou o jornalista José Simão , que disse que “a Juliana Paes é da casta das gostosas. Aliás, a Juliana Paes não é nada casta! A Juliana Paes é da casta das nada castas!”
Eu ficaria ofendido se ele tivesse me chamasse de casto, e não o contrário. Mas não deixa de ser interessante que a mulher que está brigando para não ser chamada de incasta seja a mesma que já fez uma boa dúzia de ensaios sensuais (entre eles, um para a Playboy), que todo ano desfila como madrinha de Escola de samba, que declarou ter deixado de ser virgem aos 18 anos (muito antes de se casar…) e que já tenha até sido flagrada em um evento púbico (ops, público) sem calcinha (foto aqui).
Por que é tão importante para uma mulher ser vista como casta, mesmo quando todas as evidências depõem contra?
Segundo o primatologista Frans de Waal, a valorização da castidade feminina e a motivação do controle masculino sobre a sexualidade da mulher surgiu quando nossos ancestrais deixaram de ser nômades: começou aí uma longa história de misoginia, submissão feminina e de pavor/ódio à sexualidade das mulheres (*). As origens do simbolismo que reveste a castidade estão arraigadas na sociedade humana. São mesmo justificadas em textos fundadores: segundo o Pentateuco, por exemplo, na invasão da Terra Prometida, o exército de Israel foi ordenado por Deus a matar todas as mulheres estrangeiras que “já conheciam homem”, enquanto as virgens deveriam ser poupadas para bel prazer dos conquistadores (Números 31: 17,18; leia também Deuteronômio 22: 13-21 e I Coríntios 7: 36,37).
A reação de Juliana Paes e a estapafúrdia decisão favorável do juiz – muitos séculos depois dos nossos ancestrais na savana africana e dos escritores da Torah – são sintomas de que “castidade” ainda tem valor fulcral na nossa consciência coletiva.
E não deixam de ser sinais de que o discurso fanático de Carolines e Kakás ainda ganha corações e mentes. Eles estão vencendo o jogo.

on Jul 24th, 2009 at 8:07 pm
Qual a sua dificuldade em aceitar a opinião e a religião dos outros?
qual o pecado em se casar sem ter tido relações sexuais?
Quer dizer que para ser digna Caroline precisa ser uma galinha?
Aprenda a ser mais imparcial antes de dar sua opinião e procure conversar com pessoas que conhecem o casal.
on Jul 25th, 2009 at 9:29 am
Cara Raisa,
Muito obrigado pela seu leitura e pela sua mensagem.
Acredite-me: pensei bastante antes de publicar este texto. Isso porque muitas pessoas que eu amo muito, e que me amam bastante, pensam como você. Sei que meu texto desperta incômodo.
Tenho profundo respeito por opiniões e manifestações religiosas alheias. Mas, para que eu as respeite e as “aceite” (isto é, escutá-las em silêncio, sem retrucá-las, mesmo que não concorde com elas), um princípio fundamental deve ser por elas também respeitado: a opinião delas não pode afrontar a inteligência, a sensibilidade e, principalmente, a dor alheia.
Foi por isso que escrevi sobre a Caroline. Foi por isso também que me envolvi, alguns meses atrás, neste mesmo blog, em um debate sobre preservativos e sobre o aborto da menina pernambucana.
Não vejo pecado algum em se casar sem ter tido relações sexuais. Não disse nem sugeri, em momento algum, que Caroline, para ser digna, precisa ser promíscua (acho que foi isso o que você quis dizer com esse termo chulo “galinha”).
Eu, definitivamente, não associo vida sexual com dignidade moral. As pessoas – atenção: aqui incluo apenas adultos conscientes – não são mais ou menos dignas por não se deitarem ou por ser deitarem com quem quer que seja, desde que tudo se passe sem violência, coerção ou que não envolva menores.
O que eu acho realmente INDIGNO da parte da Caroline é, como expliquei no texto:
1) O fato dela representar uma igreja envolta em crimes de lavagem de dinheiro, falsidade ideológica e sonegação fiscal. Os líderes da Renascer já foram presos nos EUA e têm um série de processos judiciais contra eles. Isso são fatos, goste-se ou não deles. Pergunto: é digno apoiar uma gente e uma associação assim?
2) O fato dela querer nos enganar com a idéia de que, mais importante do que os 65 milhões de euros, do que morar em Madri, do que a qualidade de vida, é o propósito missionário. Por que ela não insiste para seu marido ir jogar no Irã? Você acha que ela estaria feliz com essa opção?
3) O fato dela tripudiar da inteligência e do sofrimento de milhões de desempregados no mundo inteiro com essa idéia de que, em plena crise, Deus preferiu contratar um jogador de futebol a sanar problemas econômicos e sociais.
E, por fim, não pretendo aprender a imparcialidade. Vou continuar sendo parcial, assim como você.
Imparcialidade não existe. Como disse Nélson Rodrigues, “o ser humano é capaz de tudo, até mesmo de uma boa ação, mas não é capaz de uma imparcialidade”.
E, não, não tenho a menor vontade de conhecer Caroline e Kaká, apesar de adorar vê-lo jogando futebol, pelo atleta brilhante que é.
O que eles falam repetida e publicamente me permite ter uma opinião sobre eles que não me dá a menor vontade de conversar com eles, nem com amigos do casal. Dá preguiça, dá canseira.
Cordialmente
Leonardo
on Jul 25th, 2009 at 9:23 am
Leonardo, bom dia, cheguei até voce atravez da lista do Idelber Avelar, gostei do que vi,só faltou vc dizer que torce para o galo. para comentar sobre a bispa, eu teria de ter estómago de avestruz, mas como acontece com as bandas de música, ela vai “melhorar”; e partir par carreira solo, pode escrever. Adorei seu comentário sobre o filme “O Leitor”; como vc mesmo disse. vai ficar, agora esclareça-me, o fato dela de chama-lo de menino é culpa?
benvindo aus meus favoritos.
on Jul 26th, 2009 at 2:39 pm
Gostei tanto do texto que reproduzi parte dele no meu blog.
abraço
on Jul 26th, 2009 at 4:28 pm
Respondendo…
Caro Roberto: Muito obrigado pela sua visita e pelo comentário elogioso que muito me honra. Volte sempre. Desculpe-me desapontá-lo, mas sou Flamengo. Quanto a Hannah e o fato de chamar seu amante de “menino”, talvez seja culpa, talvez seja só fetiche mesmo.
Querida Sandra: Estranho, estava apreensivo quanto à sua opinião sobre este texto. Ufa, que bom que gostou. Não tenho a mesma condescendência com Caroline que você. Ela não é só ignorante, é hipócrita também. Isso é duro de agüentar, bem mais que a falta de humor da Juliana. Beijo.
Juliana: Bem-vinda à Terceira Margem! Fico honrado em ver meu texto no seu blog. A casa sempre lhe estará aberta. Abraço.
on Jul 26th, 2009 at 1:00 pm
Léo,
Não é à toa que adoro seus textos.Rapaz, juntar Juliana Paez e D.Cacá (de Caroline)foi fantástico.
Quanto a Caroline: perdoe, ela não sabe o que diz, o que faz. Seu crime é a ignorância.
Quanto à Juliana Paez: eu já nao achava nada nela, só olho e bunda e perdeu o bom humor, salve Macaco Simão! Seu Crime, a estupidez.
Ignorantes ou estúpidas (JP devia ser processada por todas as mulheres que se matam em academias ou salas de cirurgia para ter o corpo dela), esse é o universo que vivemos. Superficial, raso, medíocre. Ah, e hipócrita. D. Cacá deveria vistar a África e avisar Deus (ela tem um 0800 com Ele) que a dignidade humana não chega lá…vai que dá certo?
beijos, querido
on Jul 27th, 2009 at 1:49 am
SENSACIONAL seu texto. nossa, acho que o melhor que já li até hoje. como você é inteligente e sabe fazer as críticas perfeitas, sem tirar nem pôr. finalmente alguém para mostrar que a virgenzinha pode ser a vilã e não a mocinha. vou reler mais umas três vezes para rir internamente e pensar: finalmente alguém falou, finalmente alguém sacou.
bjos!
on Jul 29th, 2009 at 7:01 pm
Ma chère Fran… Obrigado pelo comentário. Você me deixa encabulado com esses elogios. Beijo!
PS: Depois vou lhe escrever um email. Tenho novidades.
on Jul 29th, 2009 at 7:00 pm
É assombroso como vem crescendo o poder das igrejas evangélicas aqui no Brasil;estou vendo a hora em que teremos uma nova inquisição(sem exageros,pois o que digo procede)…a coisa tá feia!
E cada vez mais é estimulado este tipo de comportamento deplorável como bem podemos ver com Kaká e sua “puríssima” esposa…
isso me dá nojo…
eles podem converter quem bem quiserem,menos a mim,que não abro mão de forma alguma do meu direito inalienável de continuar sendo um ser pensante e questionador…
P.S:Muito bom o seu blog,gostei mesmo daqui,você parece ser uma pessoa equilibrada e que sabe se expressar muito bem.
on Jul 29th, 2009 at 7:08 pm
Cara Nadja,
Muito obrigado pela leitura, pelo comentário e pelo elogio.
Na verdade, já existe um intenso policiamento ideológico por parte das seitas neopentecostais. Querem interferir em várias áreas-chave da sociedade, como OliverS Cromwell do século XXI. Se pudessem, fariam uma neo-Inquisição. Temos que ficar atentos. E, sobretudo, temos que manter nossa inteligência contestadora alerta, como você diz.
Volte sempre!
Abraço.
on Jul 29th, 2009 at 9:12 pm
Maravilhoso o texto Lelec. Resumiu com maestria a hipocrisia por detrás do fanatismo.
on Jul 30th, 2009 at 5:36 pm
Lelec, quot;Os Demônios descem do Nortequot; é um livro que marcou minha adolescência e trata exatamente disso: a proliferação dessas religiões evangélicas como praga, originárias dos E.U.A. Ao ler seu texto, confirmo ainda mais minha aversão(não é preconceito)a tudo que seja fanatismo. Um belo artigo seu que traz argumentos e quot;provasquot; relevantes das sandices cometidas por ums que subjugam os mais fracos. É muito triste pensar que milhares de fiéis dão o pouco dinheiro que têm para pessoas como Edir Macedo, etc,etc.
Cheguei aqui por meio do “Escrevinhamentos” do Barone e não me arrependi. Parabéns.
on Jul 30th, 2009 at 6:54 pm
Oi, Leonardo! Não conhecia seu blog. Estou passando para registrar que também gostei muito de seu texto! Parabéns!
Um texto que escrevi uns dias atrás para o blog de um amigo – sobre as relações entre uma doutrina religiosa e a instituição que a representa – talvez o interesse (não é lá grande coisa, hehe): http://rlsxs4ever.multiply.com/journal/item/10/10
Em relação ao lance da Juliana Paes, embora eu não esteja a par de todas as informações, acredito que talvez você está desconsiderando um aspecto. O “não ser nada casta” soa muito bem como um eufemismo para “puta”, e penso que isso sim deve tê-la levado a se sentir ofendida.
Ah, enquanto lia os comentários, não pude deixar de considerar uma colocação da Sandra Leite profundamente infeliz. Na verdade, duplamente desanimadora. Ela diz “JP devia ser processada por todas as mulheres que se matam em academias ou salas de cirurgia para ter o corpo dela”. Primeiro, porque, pode não parecer, mas é uma posição extremamente misógina. E, segundo, porque não parte de um homem, mas de uma mulher. Eu não teria espaço aqui para apresentar todos os argumentos, porém espero que faça a Sandra refletir. =)
Vlw, Leonardo!
on Jul 31st, 2009 at 3:34 am
Texto fantástico! Gostei tanto que está salvo nos meus favoritos.
Não sou contra religiões, procuro respeitar todas, tenho minhas crenças e aprecio um pouco de cada doutrina, mas o que essa menina quot;pregouquot; é absurdo. É aquela história: seria cômico se não fosse triste.
E a história da Juliana Paes li essa semana em algum lugar, e concordo com você mais uma vez. Não entendo querer se fazer de “santa” agora: essa atitude não condiz com o que ela já fez, expôs, etc. Não estou julgando ninguém, eu só acho MUITO difícil compreender, apenas isso.
Parabéns pelo ótimo texto, você escreve muito bem!
on Jul 31st, 2009 at 9:26 am
Por isso que o Brasil encontra-se nessa grande alienação, as pessoas não se preocupam e nem são estimuladas para evoluirem intelectualmente. Naturalmente, porque o próprio poder político não tem interesse que isso ocorra.
Fico abismado como as pessoas não conseguem formar opinião, são completamente doutrináveis.
Bom, mas como dizia o sambista Bezerra da Silva, ponha os dez por cento de Jesus e vá na paz de Deus!.
on Jul 31st, 2009 at 8:07 pm
Hehehe, Deus dá 65 milhões ao Real Madrid e nem dá uma mãozinha pra tirar a Bispa Sônia da cadeia em Miami por evasão fiscal…
on Jul 31st, 2009 at 11:13 pm
Leonardo,
Mais uma vez eu fico admirado pelos seus textos.
Realmente é um contrasenso a declaração dessa “pobre” garota, a ignorância e falta de respeito que as palavras dela exibem são uma afronta.
Como diz um grande amigo,a religião (qualquer uma) em si é perfeita, é o homem com suas deficiências que corrompe e deturpa.
Infelizmente os ensinamentos de Jesus foram alterados para o ganho próprio, para matar e roubar,mas eu tenho fé de que todos os responsáveis irão de certa forma serem responsabilizados por isso.
Infelizmente as pessoas ainda não entendem que escolha sexual (como vc bem explicou na resposta a Raisa)nada tem a ver com a moral, mesmo pq vemos inúmeros senadores casados, fazendo bodas de diamante, mas que transformam um estado inteiro em fazenda.
Ele é melhor, mais iluminado que uma prostituta ?
Eu tenho certeza que não, aliás prefiro conversar e conhecer a segunda opção.
Vou reproduzir o seu texto, com o devido link do blog, pq adorei mesmo.Grande abraço.
on Aug 2nd, 2009 at 9:30 am
Leonardo,
cheguei via Idelber, já assinei o RSS.
Não tive estômago para o vídeo da pastora, cresci ouvindo este tipo de coisa todos os domingos. Quando você diz aí no comentário que “muitas pessoas que eu amo muito, e que me amam bastante, pensam como você”, imagino que pode ter uma história parecida com a minha.
A única coisa que me deu vontade de discordar está logo no início do teu texto, quando você cita Romanos 13.1 relacionando a Iaveh. A questão da autoridade ali é muito mau usada, inclusive o próprio Paulo não era tão submisso a autoridades assim, tendo sido preso pelos romanos, quase apedrejado em Jerusalém e por vários judeus da dispersão. Há controvérsias sobre se ele cria em Iaveh.
O fundamentalismo é mesmo um perigo muito sério. Não acho que ele esteja crescendo em nenhum lugar, mas é muito ativo e perigoso. No Brasil é bem provável que haja mais gente da Renascer, mas outrora eram as TFP da vida…
on Aug 2nd, 2009 at 6:48 pm
Desculpem-me pela demora em respondê-los…
Barone: Obrigado pela visita e pela divulgação deste texto lá no seu blog. Abração.
Adriana: Gratíssimo pela visita e pelo comentário. Ainda não li esse livro, “Os demônios vêem do norte”, vou procurá-lo, pois o assunto me interessa demais. É interessante notar que o protestantismo europeu é austero na liturgia e mais liberal em termos de regras morais de comportamento. Os evangélicos dos EUA são o oposto: cultos que parecem shows e toda aquela cantilena de proibições morais. Os brasileiros escolheram a pior influência. Os demônios vieram do EUA, certamente. Volte sempre, beijo!
Felipe: Grato pela visita. Vou ler seu texto com atenção e deixar um comentário por lá. Valeu pela indicação. Quanto à sua opinião sobre as palavras da Sandra, gostaria que você a desenvolvesse mais, para que ficasse mais claro. Tenho certeza de que será um debate interessante. Abraço.
Heloísa: Obrigado pelas suas palavras gentis. O que a esposa do Kaká pregou nada tem de religião. É vigarice mesmo, com boa dose de idiotia. Quanto à Juliana, bem, ela colheu o que plantou. Beijo e volte sempre.
Alexandre: Tenho certeza de que perde muito o país que vê multidões de jovens desconectados dos problemas reais da vida e entretidos com perorações metafísicas descabidas. Políticos se beneficiam disso, é claro: eis a bancada evangélica que só faz crescer. Perdemos todos, não apenas os pobres descerebrados que entregam dinheiro para Renasceres vida afora. Abraço e volte sempre.
Fernando: Nem ligo de Deus não ter ajudado a bispa Sônia lá nos EUA. Acho ruim mesmo é Ele não ter me dado uns milhõezinhos de euros! Aí ficaria tudo bem! Abração!
Marcello: E eu, mais uma vez, fico honrado com sua visita e suas palavras. Muito obrigado. Não acho que a “religião em si é perfeita”. Muitos textos fundadores de religiões são cheios de perversões. O Velho Testamento tem requintes de crueldade: genocídios, abusos sexuais, mentiras, incestos, tudo em nome de Deus… Acho que muitas coisas na religião estão erradas na raiz. Quanto à associação da moral com a sexualidade, isso é pura invencionice de religiosos sádicos e recalcados. Abração e volte sempre.
André: Obrigado pela visita. O texto paulino pode ser analisado de muitas maneiras. Na maneira literal, que é como os fundamentalistas lêem as Escrituras, Paulo quis dizer exatamente o que ele escreveu: que toda autoridade é instituída por Deus, mesmo os tiranos facínoras. Mas, é claro, isso é algo altamente discutido por teólogos. Abraço; espero revê-lo aqui em outras ocasiões.
on Aug 6th, 2009 at 1:11 pm
Lelec,
Só agora li esse post (mea culpa),eu sempre achei que a religião,de alguma forma ajudasse as pessoas a enfrentarem a vida,que as desse mais sentido as suas vidas,algumas tão sofridas. Aí,cresci (de tamanho não muito),e me deparei com as instituições religiosas,e li Dawkins. Cheguei a seguinte conclusão:religião,são alegorias saídas do fundo do nosso inconsciente. Eu respeito quem crê,mas respeitar não é pactuar ou tolerar calada.O problema,no meu ver,é a Caroline,tentar cooptar,doutrinar,manipular com as suas “verdades” e seus milhões de euros,e as quot;verdadesquot; dessa Renascer(a bispa foi presa com dinheiro escondido numa bíblia,e há outros delitos financeiros),com seu dízimo (às vezes debitado no cartão de crédito),aos carentes de consolo e incautos.
Belíssimo texto Lelec,
beijos,
on Aug 7th, 2009 at 11:59 pm
Oi, Leonardo!
Tô voltando para esclarecer meu ponto anterior sobre o comentário da Sandra: “JP [Juliana Paes] devia ser processada por todas as mulheres que se matam em academias ou salas de cirurgia para ter o corpo dela”
É simples: não tem cabimento culpar Juliana Paes por ter se tornardo o símbolo de um corpo perfeito para as mulheres brasileiras. E isto porque ela também é mulher e, portanto, também foi subjetivada desde a mais tenra infância por valores machistas opressores. Ela é só mais uma dentre tantas milhões de mulheres que foram levadas a crer que só possuem lugar no mundo como decoração, como adorno, como colírio para os olhos dos homens. A diferença dela para todas as demais é unicamente que ela deu a sorte de nascer em grande parte dentro dos padrões vigentes para o que é tido como belo. No entanto, JP é uma exceção. Esse ideal de beleza é de fato inalcançável, mas as mulheres se torturam para atingi-lo. Ora,são as mulheres que nós devemos culpar? A resposta óbvia é não! Elas só o fazem porque estão inseridas numa cultura onde predominam valores profundamente machistas e misóginas que as vão bombardeando a toda hora e as constituindo (aliás, a nós todos).
Ora, são esses valores que nós temos que problematizar! E culpar quem é que os reproduz: os homens. Você pode até argumentar: “ah, mas também há mulheres machistas!”. Sim, realmente há, porém elas não extraem privilégio nenhum disso, elas não têm interessam em mantê-lo, só o fazem porque foram condicionadas para tal. O que é muito triste, porque no fim das contas elas continuam sendo alvo do machismo. Portanto, o que me incomodou na colocação da Sandra foi ter descontextualizado totalmente o lugar da JP e ainda por cima a ter colocado como algoz, como agressora, como uma mulher que presta um desserviço às mulheres.
Isto é uma inversão brutal dos fatos. E, é claro, um argumento tipicamente machista (“Afinal”, assim pensa o machista, “esses seres descerebrados que são as mulheres ficam acreditando nessas bobagens que vêem na tv como se fossem criancinhas! E aí ficam neuróticas, se matando em academias! Hunf! Que gente louca! Falta de pica dá nisso. É por isso que elas precisam de um homem ao seu lado. Aliás, venhamos e convenhamos, mulher feia do meu lado não dá, né!”).
A pergunta que eu deixo é: Vocês acham mesmo que a mídia irá poupar JP quando as rugas inelutavelmente começarem a aparecer e ela começar a perder seu corpo escultural? Vocês acham que ela está de fora ou acima das exigências opressoras que os homens determinam? Muito pelo contrário! Infelizmente, JP é tão vítima de nossos valores sociais quanto todas as outras mulheres.
Foi mal o comentário extenso (já virou quase um tratado, hehehe), Leonardo.
Vlw!
on Aug 8th, 2009 at 12:07 am
Leo…
Acho que a essência da religião é perfeita sim, ou seja encontrar aquilo que te faz sentir bem, seja acreditar em Jesus ou no deus Rá, mas é o ser humano que a deturpa para os seus próprios interesses, os textos bíblicos de fundação eram escritos por homens semi-bárbaros, Moisés quando levou os judeus através do deserto, demorou 40 anos justamente para que a antiga geração de quot;bárbarosquot; fosse expurgada, e outra quando se fala em temer à Deus,em punições, inferno, acredito que seja uma forma de disciplinar algumas pessoas que ainda não tem plena consciência do uso do livre-arbítrio.
E concordo com você que é lamentável o quanto se usou o nome de Deus nas guerras “santas”….
A Igreja infelizmente teve a chance de ser a luz na Europa, mas infelizmente se deixou levar pelos interesses financeiros e políticos da época, basta ver o que eles fizeram com os cátaros na França, dizimaram 80 mil em um dia no Languedoc, e além disso alterou pra sempre o mapa da França.
E inúmeras batalhas patrocinadas pela Igreja sem motivo religioso, apenas político.
Realmente esse assunto sobre religião e suas deficiências gera uma enorme avalanche de comentários, não é mesmo ???
Enfim, é sempre um prazer trocarmos idéias.
Tenho um blog de poesia,se um dia tiver interesse apareça por lá.
Grande abraço.
on Aug 8th, 2009 at 12:55 pm
PS. Não pude deixar de reparar que o Marcello Lopes aí em cima ilustrou exatamente a idéia que eu critico no meu texto (cujo link botei lá no meu primeiro comentário), hehe. É mesmo um procedimento típico, e não só por parte dos religiosos, este de responsabilizar a igreja para assim manter imaculada a doutrina que a embasa.
on Aug 10th, 2009 at 4:33 pm
Lelec,
Estou de férias em BH e resolvi vir a TMS ler seus textos repletos de poesia, lirismo e densidade.
Respondendo ao Felipe:
Caro, quem perde o humor, perde um pouco do charme. Isso é uma direta para JP. Eu já não a considero boa atriz, agora deixou de ser charmosa.
É uma pena ela não ter entendido o Macaco Simão. Então vamos lá, ela processa o Macaco e eu a processo. É a liberdade de expressão, posso?:)
Felipe, usei do humor para falar que se ela pode processar, eu também posso. Afinal, me mato pra ter o corpo que ela usa pra vender cerveja e pneu, e tou longe do resultado. Mas é brincadeirinha, não vou processar, nem mobilizar pessoas em torno do problema de la JP.
Parece incrivel e insensivel da minha parte, não me preocupo 1 cm se a imprensa/mídia vai ser algoz da rugas de JP. Cada um traça seu caminho com suas próprias dificuldades. Não tenho dó, nem pena.É a vida, simples assim.
Homens e mulheres são protagnistas da sua história com apenas uma ressalva: é muito árduo o caminho das mulheres, mas não por causa das rugas ou corpo. Isso é futilidade. Somos vitimizadas violentamente nos abusos sexual, moral, físico, emocional.
Mas quando visito um desses centros de reabilitação de violência contra a mulher, percebo que há uma FORÇA transcendental em cada uma de nós. Nada retira a dignididade de nenhuma de nós, se de fato sabemos quem somos.
Nosso valor não é atribuído pelo que diz o quot;outroquot; – seja ele o marido, a falta de marido, a revista ou o Macaco Simão.
Quanto às rugas, há uma dignidade enorme nelas, uma espécie de sabedoria que não há na juventude.
Temos opiniões contraditórias, mas te respeito.
um abraço,
on Jan 13th, 2010 at 4:18 pm
Minha nossa…dá vontade de vomitar ao ver a mocinha cabecinha de vento, esposa do jogador não menos cabecinha de vento, discursar…que mundo meu DEUS, nos encontramos…quanta ignorância…o sr.jogador deveria se envergonhar…milionário do jeito mque está, arrancando dinheiro desse povo tão sofrido, tão ignorante. tão desesperado em busca de algo que melhore sua vida…ACORDA BRASIL…ACORDA MUNDO!!!
on Mar 14th, 2010 at 12:06 pm
opa…não pude deixar de ler…
Me chamou a atenção o texto por conter palavras sobre Deus e partes bíblicas…
Creio que a ignorância vem da parte de todos…até da minha parte…
A minha visão é a seguinte…
Vejo que tem um grande conhecimento bíblico…
Sendo assim, você deve ter lido sobre Jesus.
O ponto chave da bíblia é a morte e a volta de Jesus, certo?
O que aconteceu antes foram fatos apenas para demonstrar a soberania de Deus e sua onipotência.
Tão cruel e ao mesmo tempo tão misericordioso que enviou Jesus para que genocídios, massacres e situações desagradáveis não aconteça mais…
Existem vários modos de se pregar o evangelho…não concordo com o fato de falar de dinheiro e pregar a prosperidade como fazem…
Mas pregar a compaixão…
Somos todos feitos de situações que nos desagradam…
Agora deixo algumas perguntas…
Vocês realmente dariam o dinheiro para os pobres ou necessitados?
Vocês deixariam de comprar o melhor de tudo no mundo para dar uma vida melhor para milhares de pessoas?
Só peço um favor, não julguem as pessoas pelo o q elas são…não criem ícones para criticar pessoas que seguem tal opinião…
Exemplo…
Como pessoas que se dizem cristãs roubaram, mas pessoas católicas, espíritas, budistas, também fizeram…como também mataram, suicidaram…
Entendam uma coisa…
Todos somos pessoas passivas que vão seguindo nossa vidinha de uma forma que nos cabe e nos agrada…
Todos já cairam de bicicleta por não saber andar…
Vamos aprendendo e buscando a cada dia melhorar…
Busque conhecimento…pesquise…
Só tente enxergar por um outro anglo antes de tomar suas conclusões…
Converse…busque opiniões…evolua (não veja isso como uma crítica agressiva, mas como um conselho do que tenho feito.)
Deus te abençoe e te guarde…nos veremos e um lugar melhor…acredite!
on May 26th, 2010 at 11:21 am
Gostaria de saber se o seu novo endereço é esse: http://opensadorselvagem.org/
O pensador selvagem que encontrei foi nesse endereço acima. Por favor confirme ou ponha o novo endereço. Obg.
on May 26th, 2010 at 11:35 am
Que legal! Eu também sou da Nação! A propósito, precisamos nos unir para democratizar a maior nação do mundo. Lelec, você acha justo que cinco mil sócios, alguns nem Flamengo são mais pois herdaram a ação de sogros, pais etc. continuem desmandando o CRF? Eles ficam milionários, visiveis no país inteiro enquanto o clube se afoga em dividas e ganha um campeonato a cada dezesseis anos? O que podemos fazer pela nossa Nação? Você já deixou um comentário no blogsobreflamengo, flamengonet ou no botecodoflamengo? Vai lá cara da o ar da tua inteligência pra nós! Precisamos de rubronegros como você e o Daniel Lopes bem ativos na torcida. Adorei o seu cometario sobre a bispa do boleiro.
on Feb 10th, 2011 at 3:40 pm
“No vídeo, a pastora Caroline pratica toda a panóplia do manual do pregador picareta: as piadinhas para descontrair e cativar a audiência, as mãos erguidas, a aparência muito bem cuidada, o tom suave da voz (o “sotaque de crente”) que cresce em paroxismos de fervor quase colérico.”
Gostei da descrição.
Vou aplicar isso ao “atheist experience”.
Darei os créditos, óbvio.
Abraços.
on Feb 11th, 2011 at 9:57 am
Obrigado, abraço.