Cartum nazista: o medo de que os judeus (e suas ideias) dominassem o mundo
Espero não perder meus 5-6 leitores, mas tenho que confessar algo: acesso com freqüência sites de moral duvidosa. Quer dizer, vou ser mais franco: são sites sem moral alguma. Minha esposa talvez nem desconfiasse, pois sempre encontro um jeitinho de camuflar o delito: visito a porcaria quando ela está fora de casa, apago o histórico de navegação e, quando ela toca a campainha, abro-lhe a porta com sorrisos e beijinhos mil.
Um desses lugares duvidosos que freqüento é o blog do Júlio Severo.
Para quem não o conhece, Júlio Severo é um cristão evangélico que se notabilizou por fazer todo tipo de invectivas contra homossexuais. É, talvez, a mais ativa voz contra os direitos civis homossexuais no Brasil. Sua postura rendeu-lhe muitos problemas legais, o que motivou que deixasse o país.
Júlio Severo também ataca ardorosamente a teoria da evolução, pois entende que o Gênesis deve ser lido literalmente como um relato exato da origem do Universo e da vida na Terra. Ele ainda contesta com vigor a União Europeia, psicologia, o uso de vacinas, o planejamento familiar e os métodos anticoncepcionais. Júlio Severo também defende fervorosamente que os pais não mandem seus filhos às escolas, mas que os eduquem em casa.
O termo “obscurantista”, enfim, parece ter sido feito sob medida para Júlio Severo. Por isso, quando o filósofo astrólogo Olavo de Carvalho disse no seu programa que “o Júlio é uma das melhores pessoas que nós temos no Brasil”, eu fiquei surpreendido: descobrira alguém que conseguia ser mais pessimista do que eu em relação ao nosso país.
O mais triste, porém, é que o Júlio Severo não é vox clamantis in deserto. Seu blog tem quase 600 seguidores e, internet afora, há muitos crentes que defendem e sustentam ideias bastantes semelhantes às do Júlio. Suas posições são bastante representativas de boa parte da comunidade evangélica brasileira (atenção, por favor: escrevi “boa parte” e não “toda”). O acachapante documentário “Jesus Camp” expõe como fenômeno semelhante ocorre nas igrejas dos EUA, centros que historicamente exerceram (e exercem) enorme influência no protestantismo brasileiro.
E é do Júlio que vem mais um exemplo vivo de que anti-semitismo e cristianismo não são duas coisas incompatíveis, mas que podem coabitar harmonicamente na consciência de um indivíduo, às vezes de maneira latente e disfarçada, outras, nem tanto… Tal como a D. Magda e aquela anônima covarde, trata-se apenas de mais uma ilustração de uma constatação histórica: cristãos sinceros podem aceitar ideais nazistas.
No último dia 24 de novembro, Júlio escreveu:
“A psicologia reconhece sua necessidade de Cristo? Dificilmente, considerando o fato de que seu fundador Sigmund Freud (um judeu rebelde e revoltado contra Deus) fez questão de não centralizar Deus em sua invenção, nem a criou para glorificar o nome de Jesus.
Freud é para a psicologia o que Karl Marx (outro judeu rebelde e revoltado contra Deus) é para o socialismo.”
Bom, acho que não é preciso muito esforço imaginativo para entender que foram pessoas assim que não se opuseram nem um pouquinho à proibição e à queima de livros judeus na Alemanha nazista, né ?
Que um fanático evangélico destile raiva contra a “psicologia moderna”, não chega a ser surpreendente, é apenas mais um entre os numerosos pensamentos trevosos que cultivam.
Que se contestem os escritos de Freud e de Marx, não há nisso problema algum. É excelente que se o faça. Doutrinas e ideias, sejam da psicologia, da economia ou da religião, devem mesmo ser analisadas criticamente. No caso de Freud (não li Marx), há certamente muitas coisas a serem contestadas à luz das neurociências modernas. Sistemas religiosos podem ser alvo de crítica e de contra-argumentação, como é passível de contestação qualquer conjunto teórico-ideológico, não importa o campo semântico, seja ele na economia (como o marxismo), na biologia (como darwinismo), na psicologia (como a psicanálise freudiana) ou na religião (como a teologia evangélica).
Mas é inaceitável que se refira a Freud e a Marx como “judeus rebeldes e revoltados contra Deus”, porque repercute ipsi literis, com a mesma verve raivosa, com a mesma hidrofobia, a mesmíssima fraseologia anti-semita com a qual durante séculos se satanizou o povo judeu. A ofensa aos judeus como “rebeldes e revoltados contra Deus” perpassa toda a história da cristandade, especialmente a Idade Média. Foram preconceitos implícitos e textos como esses que, explorados com extrema eficiência por Hitler, redundaram na barbárie do Holocausto. Semelhantemente, foi direcionando a homofobia latente em cristãos como Júlio Severo que Hitler enviou milhares de gays aos campos de extermínio…
Para quem tem dúvida do teor racista do que o Júlio Severo escreveu, experimente substituir “judeu” por “negro”.
Se ele tivesse escrito que Freud e Marx são “pessoas” ou “homens” “rebeldes e revoltados contra Deus”, minha acusação não teria lugar. Mas, ao associar uma depreciação àquilo que é algo estruturalmente constitutivo de um indivíduo (sua etnia), as declarações de Júlio Severo são racistas e se inscrevem na longa lista de declarações anti-semitas de pregadores protestantes, como Lutero e Billy Graham.
Praticar o judaísmo, como qualquer religião, é uma opção pessoal e um direito individual inalienável.
Mas ninguém escolhe ser “negro”, “judeu”, “asiático” como ninguém opta por ser “homem” ou “mulher”. No caso da sexualidade, há cada vez mais evidências científicas de que ninguém “escolhe” ser homossexual (veja aqui, cá e acolá).
É intolerável ofender uma pessoa naquilo que não lhe constitui uma opção, naquilo que está incrustado na sua estrutura biológica. Isso não é uma questão de “liberdade religiosa”. Isso é discriminação. É racismo. É crime.
Ah, antes que me esqueça. Você pode contribuir com o “Ministério” do Júlio Severo, através de doações pelo Banco Itaú ou pelo cartão de crédito. Contribua: ele ganha um dinheirinho e o mundo fica um pouco mais intolerante e abrutalhado.
PS1: O título deste post, claro, é uma referência ao famoso “J’accuse” de Zola.
PS2: Agradeço o André Egg (pesquisador e professor de História do Cristianismo e do Protestantismo no Brasil na Faculdade Teológica Batista do Paraná) pelo elogio acerca do meu texto anterior sobre o anti-semitismo cristão.
Agradeço também o Victor Barone, por me incluir entre “as pessoas que têm feito a diferença nesta Babel que é a internet, quando o assunto é a defesa dos direitos civis diante do assalto da fé”.
Alguns apoios vêm na hora certa. Muito obrigado.
PS3: Esqueça a Torre Eiffel, o Arco do Triunfo e a Notre Dame. Se você vier a Paris, não deixe de visitar o lindíssimo Mémorial de la Shoah, que conta a história do anti-semitismo ao longo dos séculos, até culminar nas atrocidades nazistas.










on Nov 30th, 2009 at 1:54 am
Lelec,
importante as denúncias contra o anti-semitismo. O Júlio Severo deve ser mesmo um FDP.
Mas não vejo anti-semitismo nos trechos que você citou o cara. “Judeu rebelde e revoltado contra Deus” é justamente uma diatribe contra o fato de serem judeus assimilados, ou seja, terem abandonado a religião dos ante-passados. Se você escarafunchar deve descobrir que o Júlio Severo, como bom fundamentalista deve achar que Israel é o povo de Deus, que Jesus vai voltar e estabelecer seu reino de Jerusalém, que os Palestinos são os vilões do conflito no Oriente Médio, etc, etc.
Você tá querendo achar pelo em ovo. Especialmente ao tentar relacionar o fundamentalismo evangélico com o nazismo. Coisas diferentes meu caro. Especialmente porque um dos tais “fundamentos” é a literalidade das promessas para Israel no Antigo Testamento, a volta de Cristo e o reino de mil anos em Jerusalém.
Sobre o affaire Dreyfus, tem um livro muito interessante do Michel Winock (eu acho que o original é em francês, mas o título me escapa): http://books.google.com.br/books?id=5pxjPgAACAAJ&dq=winock
O caso ali era sobre o que é mais importante - a “verdade e a justiça” ou a “pátria”. Marcou um novo tempo de atuação pública do intelectual (o termo surgiu mesmo nessa ocasião), divisões entre direita e esquerda no meio cultural e a ressurreição do anti-semitismo que andava calmo na França desde a Revolução.
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leocruzsouza Reply:
November 30th, 2009 at 12:51 pm
“Milton Santos era um negro rebelde e revoltado contra Deus”
“…Kabengele Munanga, outro negro rebelde a revoltado contra Deus”…
Em quais de nós essas frases não causariam constrangimento ?
Pois foi isso o que o Júlio fez, André.
Como escrevi, se ele dissesse que Freud e Marx eram homens “rebeldes e revoltados contra Deus”, minha crítica não teria lugar. Mas dizer que eles eram JUDEUS “rebeldes e revoltados contra Deus” é ofensivo à memória judaica, porque recorre à mesma fórmula que durante séculos foi historicamente usada para satanizar judeus.
Tratar um judeu como “rebelde e revoltado contra Deus” tem o mesmo conteúdo ofensivo que xingar um negro de “fujão e desobediente”. Em ambas as declarações, remete-se a ofensas históricas: na primeira, o anti-semitismo disfarçado de liberdade religiosa, na segunda, a referência à subserviência dos escravos negros.
Se a comunidade judaica brasileira fosse, por exemplo, como a francesa ou a americana – numerosa, ativa e vigilante – o Júlio teria que dar explicações. Não tenha dúvidas disso, André. Assim como Billy Graham teve que se explicar quando disse que os judeus dominavam a mídia americana e os responsabilizou pela pornografia da TV.
Meu ponto aqui não é dizer que nazismo é fanatismo protestante disfarçado.
Não é isso, porque não é isso o que penso.
O que aponto são exemplos vivos de que a consciência cristã é compatível com excrescências morais e que foi essa vulnerabilidade e os preconceitos latentes na comunidade cristã que permitiram que PARTE dos cristãos se associassem às maiores barbaridades da humanidade.
Quanto ao conflito judeu-palestino, o Júlio, é claro, sempre defenderá enfaticamente os israelenses. Aliás, se você tiver estômago, dê uma olhada no que ele já escreveu sobre árabes. Muitas de suas declarações podem ser consideradas como discriminatórias contra árabes e muçulmanos.
Abraço e obrigado pelo comentário, sempre.
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andreegg Reply:
December 1st, 2009 at 12:15 pm
Certamente não há uma “comunidade árabe vigilante” em lugar nenhum. Estes podem ser satanizados à vontade, afinal são “terroristas” mesmo.
Eu concordo com os seus pressupostos.
Mas acho que o salafrário não reclamaria de Freud e Marx se eles tivessem continuado judeus praticantes, e não se tornassem assimiliados.
O que remete à outra questão terrível. No século XIX ficou claro para os judeus que o caminho para a assimilação à cultura secular européia lhes estava vedado. Por isso o sionismo.
Aliás, isso tem mesmo muito a ver com a nossa discussão sobre cotas raciais.
De certa forma, não existe definição racial para judeu. É aquele que assim se considera, por exercício religioso. Mas o caso Marx e Freud demonstra que se você for oriundo da comunidade religiosa não tem a opção de escolher não ser judeu. Mas há também o caso de quem se descobre judeu e passa a sê-lo, caso do André Tavares do contrasenso.wordpress.com
Eta mundinho difícil esse nosso!
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on Nov 30th, 2009 at 12:37 pm
Já tratei do Julio tempos atrás…
Mas com sua argumentação ninguém pode. Ele é um maluco.
Dei uma parada no blog. Falta-me ânimo, tempo e o que dizer.
No fim do ano, dediquei-me mais aos meus alunos do terceiro ano. Foi um ano de desconstruir consensos na cabecinha deles. Consegui? De jeito nenhum!
Um abraço meu amigo.
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on Dec 1st, 2009 at 4:39 pm
É engraçado, no meu tempo, rebelde era elogio e revolta com Deus, obrigação, hehehe. Agora falando sério, o que eu acho mais interessante num certo consenso reacionário contemporâneo é crer que coisas como “judeu rebelde revoltado contra Deus” pode tenir lieu de crítica… Em que isso desqualifica o que quer que seja? Se ele fosse um budista conformista e revoltado contra o consumo de agrotóxicos, mas dissesse que 2+2=5, tudo estaria bem?
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on Dec 4th, 2009 at 3:05 am
Vejo com olhos temerosos esse tipo de movimento retrógrado. Não sei se é ingenuidade, mas creio que, no mundo atual, depois de tudo pelo qual a Humanidade já passou, não deveria haver espaço pra tais pensamentos. É por isso que tenho a minha teoria da era das neotrevas: assim como todos podem expressar livremente o que pensam, sejam pensamentos de vanguarda ou que ecoam pensamentos de outrora, o séquito que se agrupa ao redor desse tipo de preconceito, de doutrina totalmente reducionista e obscurantista, me parece tão marcante, e tão crescente, que só temo pelo que há por vir. Será que não aprendemos com os erros do passado? Será que o tal revisionismo histórico tem um apelo assim tão grande? É uma coisa que me angustia, de verdade. Em pleno século XXI, não deveria haver espaço pra tal coisa…
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on Dec 5th, 2009 at 2:12 pm
Leo,
Cada um vê o que quer. Não adianta discutir com pessoas como o Júlio, eles jamais vão mudar de opinião. Embora seja um direito deles acreditarem em qualquer coisa, o que me dá nojo é usarem a rede para disseminarem mentiras. Tanto eu quanto você sabemos o quanto é caro, duro e demorado fazer pesquisas de qualidade.Somos vigiaados pelos nossos pares de laboratórios, perdemos noites ou fins de semanas em livros e artigos, a sociedade nos cobra e quando algo dá errado somos bem criticados. Daí ver um cidadão criticar as vacinas é algo que me enoja. E me enoja mais ainda porque os argumentos são toscos,primários, típicos de quem não tem argumentos sólidos.
Outro ponto de conflitos é o bode da sala em que se tranformou a teoria da evolução. Coisa mais fácil do mundo é descer a língua nela, mas duvido que ele, Júlio, ou a grande maioria dos que a criticam tenham realmente lido a obra de Darwim, falam sem conhecimento de causa.Até hoje não apareceu nenhum artigo que realmente provasse que os pressupostos da teoria da evoução estão errrados. Pelo contrário, todas as pesquisas comprovam que Darwin e De Vries estavam certos. Mesmo assim acusam Darwin de ser ateu, de ter parte com o capeta,de ser racista e outras tantas bobagens. Acho eu que fazem isso porque não acham pontos sólidos para criticarem e ai não querem ficar calados.
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on Dec 9th, 2009 at 6:16 pm
Meu amigo, como é bom voltar a lê-lo. Tinha viajado e fiquei um bom tempo à trabalho e sem computador ( ninguém merece…)
Infelizmente existem pessoas como esse senhor que baixam seus pensamentos ao lamaçal fétido da intolerância, da violência racial e da falta de conhecimento. Conhecimento sim da lei de Jesus, somos todos irmãos ( querendo ou não) e uma das leis é amar uns aos outros como eu vos amei…ahhh e Jesus era judeu, e rebelde !!!!!!
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on Dec 10th, 2009 at 2:04 pm
Excelente post Lelec. Não conhecia o tal Júlio Severo… Intolerância ao extremo.
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on Dec 11th, 2009 at 12:33 pm
Olá. Descobri seu blog essa madrugada procurando por “Margem” no Google, por volta das 3h. Estou lendo até agora. Gostei bastante, pretendo voltar a ler.
Abraço,
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on Dec 12th, 2009 at 3:39 am
Aí Leo, li as 3 ou 4 primeiras linhas do post do rapaz sobre a “evolução”. Se ele conhecer de psicologia, filosofia e história o tanto que conhece de ciência evolutiva, imagino que pra ti a tortura foi maior lendo o blog dele do que, sei lá, torcendo pro botafogo ganhar do são paulo na antepenúltima rodada :-p
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on Dec 12th, 2009 at 4:52 am
Gostaria de fazer um adendo sobre o comentário Julio Severo… Freud não é fundador da Psicologia. Ele instituiu a Psicanálise que postula o determinismo psíquico. Entretanto, Freud faz referência a religião em “O Futuro de uma Ilusão”, ressaltando que a religião está relacionada a defesa do homem contra um estado de desamparo infantil que persiste até a vida adulta. O anseio pela proteção de um pai maior (Deus) passa a ser função que visa exorcizar os terrores da natureza, amenizar as dores frente ao destino (medo da morte, etc) e compensá-lo das privações e sofrimentos que são impostos pelo mundo civilizado.
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on Dec 13th, 2009 at 12:35 am
oi Léo,
Hoje vim só agradecer todas as suas palavras, palavrs que curam e dão ânimo. Estou com muita saudade da TMS, sedenta mesmo. Não vejo a hora de lê-lo novamente.
beijo,
Sandra
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on Dec 13th, 2009 at 3:33 pm
Desculpem-me pela demora em respondê-los, caríssimos leitores…
Zé Costa: Sim, eu me lembro de quando você escreveu sobre o Júlio. Aliás, foi através do seu blog que eu o conheci. Você me deve essa: ter me feito ler o Júlio… Rs rs. Abraço e coragem com seus alunos!
Diego: Pois é, the times are changing, como canta Bob Dylan…
Marcello: Que bom vê-lo por essas paragens novamente! Espero que você esteja menos sobrecarregado. Obrigado pelo comentário. Muito boa a lembrança de que Jesus era um judeu rebelde… Abraço.
RR Dias: Volte sempre, a casa é sua. Abraço.
Camila: Muitíssimo obrigado pela visita e pelo comentário. Partilho da sua inquietação e dos seus temores. Há muito de intolerância, ignorância e fascismo por trás de evangélicos como Júlio Severo. Temos que estar vigilantes. Abraço.
Victor: O Júlio é a personificação da intolerância. Há muito o que criticar nas suas posturas. Talvez volte a tratar de algumas posições que ele defende. Abraço.
José Paulo: Bom vê-lo por aqui novamente. Você tem toda razão. Uma das coisas que me incomodam no discurso religioso é o desconhecimento do que é a verdade científica, que é algo completamente diferente da verdade teológica. A primeira é fruto da experimentação, trabalho árduo como você bem falou. A segunda vem da revelação. Não dá para misturar as duas coisas. Temos muito o que fazer nesse país. Abraço.
Daniel: O Júlio é barra-pesada mesmo. Mas vale a pena lê-lo, porque ele é muito representativo do que se fala nas igrejas evangélicas de todo o Brasil. E eles são 20% da população. Há que se estar atento a esse fenômeno. Abraço.
Dan Jung: Obrigado pela visita e volte sempre! Sim, as pessoas fazem muita confusão, achando que Freud é o fundador da psicologia. Sequer sabem que existe muita psicologia além da psicanálise. Dos textos que li de Freud, “O futuro de uma ilusão” é, sem dúvida alguma, o que mais me marcou.
Sandrinha: Não precisa agradecer… Nem se preocupe com este bloguinho. O mais importante é que você chegue à outra margem do rio turbulento que você está atravessando.
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on Dec 14th, 2009 at 6:44 pm
Olá Lelec!
Excelente contribuição a esse debate que, pelo visto, não se encerra aqui.
Quer dizer que o Olavao elogiou o figura? Acontecimento insólito, rsss Não leio o Olavão desde que ele reprovou Newton de estar errado e não ter percebido seus erros e limitações, certa vez (!).
Agora esse JS, que petardo! Não de intelectualidade, convenhamos. Às vezes é interessante que ódios como o dele não venham refinados, isso mostra bem o mundo em que vivemos. O texto dele sobre psicologia vinculado por você é impagável nesse sentido. A disciplina é reduzida, com Freud e Marx, à mera “ideologia”, como se as coisas fossem assim pq um punhado de ateus ou inspirados pelo coisa-ruim simplesmente desejasse isso.
Enfim, reduzir o mundo e os outros aos próprios critérios é sempre mais fácil. Só seria interessante saber do que o sujeito se defende tanto, falando tanto sobre esses assuntos de um modo tão passional
Parabéns pelo blog, frequentarei aqui também!
abraços,
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Dan Reply:
February 11th, 2010 at 3:58 am
Defesa passional é sempre comprometedora. Faz transparecer o lado sombrio do sujeito, garantindo a sua legitimidade… eis o grande temor destes medíocres obscuros!
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on Dec 14th, 2009 at 10:48 pm
Honradíssimo com sua presença e com seu comentário, Catatau!
Realmente, acho que existe uma real utilidade pública no blog do Júlio: como toda caricatura, trata-se de uma janela para olharmos para uma realidade que não atrairia nossa atenção se seus defeitos e vícios permanecessem escamoteados. Porque uma caricatura é isso: os traços marcantes e os vícios são expostos sem qualquer concessão.
O Júlio está aí para mostrar que há uma realidade a ser enfrentada: o preconceito, a ignorância, a brutalidade, a intolerância.
Por isso, Catatau, seu blog é fundamental nos dias que correm.
Abraço e volte sempre!
Lelec
PS: E concordo com você: deve haver algo por trás dessa verve passional do Júlio… Como se diz lá em Minas, “esse angu tem caroço”.
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on Jan 19th, 2010 at 9:33 pm
ESTE CARA É UM NAZISTA!!!
ODEIA NEGROS, ODEIA HOMOSSEXUAIS, ODEIA ISLÂMICOS, ODEIA MULHERES
ELE PRECISA SER PUNIDO POR ESPALHAR ÓDIO PELA INTERNET JÁ!!!
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on Jan 25th, 2010 at 5:06 am
Legal
Apesar de toda a excrescência, conhecer blogs como o desse Júlio é importante.
Afinal, como diz o Hermenauta, quando faz as suas incursões pelo lado escuro: Patrol the borders!
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on Feb 2nd, 2010 at 10:26 pm
O blog de Julio Severo utiliza de um expediente muito comum entre sites que defendem pontos de vista estúpidos e preconceituosos: Notícias selecionadas a dedo permeadas de comentários tendenciosos. Não se sabe muito bem onde opinião e fato começam ou terminam. Funciona bem para cima de quem está acostumado a não pensar sobre a informação que está absorvendo (fanáticos e ignorantes).
O dono do blog simplesmente corta/cola textos de outras pessoas,muitas vezes.
Além da incessante crítica ao hipotético “complô gay contra Jesus” (ou algo assim), ainda temos os suspeitos de sempre: Ativismo anti-aborto, vitimização cristã, paranóia anti-comunismo e olavismo galopante. (Se você não sabe o que é “olavismo galopante”, dê-se por feliz!)
Alguns dos pontos levantados por essa aberração de blog até que fazem sentido se isolados: O Lula é realmente um desfavor, alguns ativistas homossexuais são sim ridículos,mas coloque tudo isso no contexto “conservador cristão” e a sujeira (da cabeça deles) começa a bater no ventilador.
Alguns ativistas homossexuais são babacas? Olha o sujo falando do mal lavado!!
Ativistas extremistas são babacas por definição. A causa que defendem pouco ou nada tem a ver com isso. Gente que só quer chamar atenção e causar confusão defende de tudo,principalmente religião.Aposto que se a religião cristã não tratasse suicidas como pecadores, teríamos vários atentados explosivos aqui no Ocidente.
Vivemos na era do politicamente correto? Sim,vivemos.Eu também acho isso meio chato,mas não por não poder cometer crimes como o dono do blog analisado. Perseguir um grupo cuja única característica comum é a parte sexual é errado por todos os lados que se olhe. Liberdade de expressão não é desculpa para isso. É por gente ignorante assim que muitos ficam sem poder se expressar de verdade. Se Severo e outros doentes não existissem, não teríamos as leis que tanto criticam. Mas a lógica não é o forte dessas criaturas.
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