Foram 6350 dias.
Seis mil trezentos e cinquenta dias – entre o 19 de julho de 1992 e o 6 de dezembro de 2009.
Dezessete anos, 4 meses e 18 dias.
Entre o penta e o hexa, um tempo que transformou o inconsciente coletivo da nação rubro-negra, assim como a identidade do Flamengo aos olhos de sua própria torcida e dos rivais de todos os cantos do Brasil.
Naquela tarde em que Júnior erguia a taça do Campeonato Brasileiro de 1992, fechou-se um capítulo não apenas da história do Flamengo, mas da história do futebol do Rio e do Brasil.
Personificada em Júnior, despedia-se toda a geração rubro-negra que compôs um dos maiores esquadrões de jogar bola que o mundo já viu. Era um derradeiro e brilhante espasmo, lindo e triste como o Réquiem de Mozart.
Talvez não soubéssemos ainda: o Rio e o Brasil nos despedíamos também do Rio de Zico, de Dinamite, de Washington & Assis.
No vácuo dos anos que se seguiriam, o Mengo e o Rio submergiriam no pântano da indigência, da truculência, da incivilidade.
E o Flamengo iniciou ali um martírio que mudou para sempre a imagem da massa rubro-negra, diante de si mesma e dos rivais apaixonados.
Os anos mágicos do Flamengo cessaram. Assim como o Rio que, num arrastar cada vez mais espantoso, deixou de ser a maravilha cantada em verso e prosa e perdeu muito de sua charmosa carioquice.
O Rio de Jobim passara.
O Rio de Nélson Rodrigues passara.
Tudo ficou como uma memória fugidia, etérea, como um drible do Mané.

PS 1: A foto que ilustra este texto foi tirada daqui.
PS 2: Este texto inicia uma curta série sobre o Flamengo, o futebol do Rio e do Brasil pós-92.








on Dec 18th, 2009 at 9:12 pm
parabéns!
Espero que pelo menos isso ajude o futebol carioca(e não estrague mais ainda)
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gugaalayon Reply:
December 19th, 2009 at 12:16 pm
ops,…” estrague-o” mais ainda
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on Dec 20th, 2009 at 11:40 am
Oi Guga,
Obrigado pela visita e pelo comentário… Eu espero que realmente o futebol do Rio e de todo e Brasil se reergam. Torço até para que o Vasco melhore e que volte disputar títulos importantes.
É triste ver o Vasco muito longe do lugar para o qual é destinado: o vice.
Abraço e volte sempre!
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